terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O meu assassino Jorge



Alejandra Salgado

"O Jorge"

2009






Desculpa.

Sei que não me conheces, mas ando para te matar há algum tempo.

É possível? Podemos marcar um encontro?

Vê quando te dá jeito e diz qualquer coisa.

Fico à espera!


1 Abraço!

O teu assassino, Jorge.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

...gosto do cheiro da cola UHU.



Jesper Just, O Jorge (2008)




...gosto do cheiro da cola UHU.
Comia tubos e tubos quando andava na escola primária.
Comia cola e macacos do nariz.
Também gostava de cabeças de fósforo queimadas.
Às vezes, misturava:
Cola e macacos.
Fósforo e cola.
Macacos e fósforo.
Foram as bofetadas da minha mãe que me destruíram o gosto pela culinária...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Biografia



Teresa Saporiti

"o Jorge"

Gravura


A minha biografia quis ser levada a sério.

Reuniu com a editora e disse:

- Sou uma biografia de uma pessoa singular e exijo reverência!

A editora fez um ar grave e sério e fixando os olhos da biografia, escangalhou-se a rir.

- Desculpe... mas não consigo parar...– enquanto limpava as lágrimas de tanto riso.

A ficção entrou pela porta e disparou sobre a editora.

- E agora? - Perguntou cúmplice, a biografia.

O riso tornou-se cada vez mais ténue até se liquefazer...

as janelas mostraram, embaciadas, a minha biografia e a ficção a subir para as costas aladas da poesia...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Atropelamento



João Pedro Vale
"o Jorge"
Velas de cera sobre plinto de madeira



- Desculpe, mas não acredito... pessoas mascaradas de Pai Natal não existem... o senhor guarda,
por favor, volte a verificar se não é mesmo o Pai Natal...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Súplica


Teresa Rodrigues
"o Jorge (I)"
Pintura
Acrílico s/ tela






- Manda-me à merda!

- Manda-me tu!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Esquecimento Global



Susan Laney
"o Jorge"
Fotografia








Quando os 192 delegados da Cimeira não se lembraram o que ali estavam a fazer, já era tarde demais...

Casa do poeta

Carlos Medeiros "o Jorge" Fotografia








A casa do poeta é o mundo.
O poeta entra e acende a luz e ilumina 70 mil biliões de pessoas.
A natureza, a mulher do poeta, não está. Foi sair com amigas.
O poeta traz um saco.
Tem latas de atum e uma garrafa de vinho.
Põe a mesa e ouve música.
Janta, com a televisão a passar notícias sem som.
Mete os pratos e os talheres na máquina de lavar loiça e fuma um cigarro à janela do mundo.
3 milhões de pessoas tossem.
Senta-se a escrever ao computador.
Escreve, apaga. Escreve, apaga.
Há sempre uma palavra que estraga tudo.
Desiste.
Mais um dia mau para escrever.
Sai porta fora mas cai num abismo.
A casa do poeta é o mundo e o senhorio ainda não resolveu a questão do universo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu não sou o Jorge!



Nuno Félix da Costa
"o Jorge"
Óleo s/papel colado s/ alumínio








Olá!
Eu não sou o Jorge!